A minha primeira platina

A minha primeira platina

06/01/2021 4 By Gonçalo Santos

Durante alguns anos, muitas foram as conversas em que eu disse que troféus/achievements não eram para mim. Estas conversas aconteceram com pessoas que adoram este tipo de troféus e que eu admiro profundamente a sua entrega e a sua resiliência quando completam a 100% certos jogos. Para mim, os achievements sempre foram algo secundário, opcional e absolutamente dispensável nos videojogos. Nunca vi qual o seu verdadeiro sentido, ou o que ganhávamos a mais por completar todos os troféus de um jogo. Sendo isto uma componente secundária para mim, nunca peguei num jogo com o intuito de o concluir a 100% (a nível de achievements) e receber o meu primeiro troféu de platina, até ao dia 4 de Janeiro de 2021.

Como um fã recente de jogos souls like, foi com enorme felicidade que terminei pela primeira vez Bloodborne. Não completamente satisfeito com isto que, para mim, já era um feito, decidi começar a minha segunda run, com uma nova personagem, em stream. Perto de meio desta run, apareceu o desafio de completar todos os troféus de Bloodborne, e sendo este um jogo pelo qual desenvolvi um carinho especial, achei que era a oportunidade certa de ter um troféu de platina do qual me pudesse orgulhar. Bloodborne não é de todo a platina mais fácil da Playstation, mas foi para mim a primeira, e até ver, a única. 

No final desta aventura e depois de cerca de 80 horas de jogo, vejo a minha opinião sobre os achievements a mudar. Um dos factores de adorei nesta jornada, foi a forma como tive de explorar o jogo de uma forma completamente diferente, aprofundando o meu conhecimento sobre o jogo e explorando pela primeira vez zonas e bosses opcionais, que me passariam ao lado se nunca tentasse concluir o jogo a 100%. 

É fascinante ver a forma como estes achievements me mostraram um jogo novo, com conteúdo adicional e com uma profundidade absolutamente deliciosa. Acredito que Bloodborne foi o jogo perfeito para começar esta jornada. Primeiro, porque é um jogo que eu aprendi a gostar, admirar e respeitar, pela sua qualidade, mas também pela forma como o podemos jogar várias vezes, aprendendo sempre algo novo pelo caminho. Se tivesse optado por platinar My Little Pony iria dar por mim farto do jogo em poucas horas, no entanto, Bloodborne apresenta uma qualidade fora do normal e uma complexidade que não vemos em muitos jogos que não sejam da From Software. 

O facto de Bloodborne não nos dar um caminho ou um objectivo para seguir, faz com que muito do nosso conhecimento venha da partilha com outros jogadores, ou da nossa pesquisa pela informação necessária. Neste caso, dei por mim a ver horas de vídeos no Youtube, que me explicavam como podia adquirir certo item, para completar uma determinada dungeon, para conseguir outro cálice, para matar um boss, que me iria dar um achievement. A informação adquirida durante este processo deu-me um conhecimento aprofundado do jogo, e criou em mim um carinho ainda mais especial por Bloodborne do que aquele que já tinha no final da primeira run.

Bloodborne é também um jogo difícil de platinar, muito por ter itens necessários para achievements que podem desaparecer a partir de um certo ponto da história, e 3 finais diferentes, cada um com um troféu específico. Isto obriga-nos a terminar o jogo várias vezes ou a ter de investir algum tempo no new game plus, onde a dificuldade aumenta consideravelmente.

Após matar todos os bosses, coleccionar todas as armas e hunter tools, passar uma quantidade estonteante de dungeons, algumas com vida reduzida a 50%, e experienciar os três finais, sinto que existe de facto uma utilidade nos troféus. Essa utilidade consiste em mostrar-nos tudo o que um jogo tem para dar, obrigar-nos a explorar zonas secundárias e dar-nos a conhecer uma face diferente de um jogo que, sem saber, mal conhecia. Se irei passar a platinar todos os jogos? Certamente que não. No entanto, a felicidade de platinar Bloodborne em conjunto com uma devota comunidade, que tal como eu, adora este jogo, é algo que não tem preço e que voltaria a fazer a qualquer dia da semana.