One Step From Eden – Review

One Step From Eden – Review

05/01/2021 0 By Francisco Fonseca

One Step From Eden é um jogo criado por Thomas Moon Kang e publicado pela Humble Games. Saiu no dia 26 de Março de 2020 e está disponível para PC, Playstation 4 e Nintendo Switch.

O jogo é um roguelike que combina mecânicas de construção de baralhos, com um sistema de combate de acção com base numa grelha. De certa maneira pode-se chamar a este jogo uma mistura entre Mega Man Battle Network e Slay the Spire, integrando o conceito das batalhas de Battle Network, de uma maneira frenética e sem piedade, com a estratégia que Slay the Spire cria com as suas cartas e artefactos.

O combate acontece sempre numa grelha com 4 quadrados de altura e 8 de comprimento que está dividida em duas metades, uma azul que pertence ao jogador e uma vermelha que pertence ao inimigo. O jogador pode movimentar-se nas direcções cardinais no seu lado da grelha a qualquer momento. As batalhas acontecem em tempo real por isso movimentos rápidos são necessários para sobreviver os desafios que o jogo impõe.

Cada personagem tem uma arma, e isto define a sua identidade como personagem. Como as cartas e artefactos estão disponíveis para todas as personagens, as armas são a única coisa que é verdadeiramente única para cada personagem. Estas armas podem ser só ferramentas de utilidade, ou a maior fonte de dano disponível a uma personagem, depende de quem é. Para além das armas temos os feitiços, sendo estes as tais cartas que acabei de mencionar. A maioria dos eventos neste jogo dão uma selecção de três cartas das quais podemos escolher uma.

Aqui começa a sentir-se a inspiração de Slay the Spire, que culmina com uma execução bastante bem conseguida. Em vez de serem divididas por personagem, as cartas são divididas por facção. Cada uma das facções foca-se em poucas mecânicas chave, como por exemplo a facção de Miseri que se foca em veneno, e no efeito de fragilidade, que amplifica o dano do próximo ataque. O jogador também pode escolher até duas facções e os seus focos, que ficam com maior possibilidade de aparecer.

One Step From Eden estende-se ao longo de 8 zonas, cada uma com 7 diferentes níveis de arenas. Em cada nível pode haver até 3 arenas, com as escolhas disponíveis ao jogador definidas pelos caminhos aleatórios da zona, sendo este um sistema bastante familiar para os jogadores de Slay The Spire. Na 7ª arena, o jogador encontra um boss, e depois de o derrotar pode escolher um ambiente para a próxima zona.

O ambiente influencia o tipo de inimigos encontrados e o boss no final da zona. Existem 4 ambientes diferentes: Ruínas, Floresta, Gelo e Fogo. A maior parte deles repete-se duas vezes, e aquele que não se repete depende da personagem escolhida. Por exemplo, se estivermos a jogar com a Saffron, a primeira personagem disponível ao jogador, o ambiente de fogo não se repete, pois ela é um boss desse ambiente.

Sempre que se derrota um boss temos a opção de o matar ou poupar. Quando se poupa, o boss cura-se a si e ao jogador, e quando é morto dá feitiços e artefactos com maior possibilidade de ser raros, ou, de dois objectos, um permite retirar uma carta e o outro permite melhorá-la, tendo ainda objectos que só podem ser obtidos assim ou através da loja.

Como todos os bosses das primeiras 7 zonas podem ser enfrentados em qualquer ordem, devido à aleatoriedade, estes têm vários níveis de dificuldade dependendo da zona em que são enfrentados. Se forem derrotados ao 3º nível de dificuldade, também conhecido como Tier 3, eles são desbloqueados e podem ser usados como personagens.

Em termos de história os jogadores não devem esperar muito deste jogo, pois a única história que temos é contada em 3 cutscenes para finais específicos e algum flavor text.

O design sonoro é outro destaque do jogo, se bem que não sou tão qualificado para falar dessa parte, por isso perdoem-me o quão breve vou ser. A música é claramente inspirada por Megaman Battle Network, com muito ênfase em música electrónica que tende a ter conotações mais alegres e esperançosas em batalha, mas com um tom mais introspectivo quando estamos fora delas. Os efeitos sonoros também ajudam a dar um toque de leveza ao jogo, um toque que eu aprecio bastante.

Em termos artísticos o jogo tem um estilo simples e colorido, com algumas animações excelentes metidas lá no meio. O design visual do jogo é de facto muito bom. Os designs das personagens são bem distintos e apelativos, os ambientes cumprem suficientemente bem o seu trabalho e os ícones têm um estilo que funciona na perfeição. A minha única crítica a isto seria os visuais do baralho, que às vezes torna-se complicado perceber os feitiços que se seguem.

A minha última crítica a este jogo tem de ser a dificuldade. Em quase 24 horas a jogar, apenas consegui vencer 3 vezes até agora. Talvez o problema seja meu, mas este não é um jogo fácil. Se calhar isto nem é um factor negativo para alguns, mas na minha experiência, a curva de dificuldade encontra-se um bocado mais íngreme do que desejava. No entanto, este problema pode ser evitado com as ferramentas que o jogo oferece para o tornar um pouco mais fácil, como multiplicadores de dano recebido e velocidade dos inimigos que desce até 50%.

Com isso dito, o jogo é maravilhoso em quase todos os outros aspectos. A jogabilidade é rápida e frenética, com uma banda sonora capaz de competir com alguns dos melhores jogos indie e um estilo visual ao qual não falta charme.