Twin Mirror – Review

Twin Mirror – Review

15/12/2020 0 By Tiago Pimenta

Twin Mirror é um jogo desenvolvido pela Dontnod Entertainment que tem como foco central a sua narrativa como muitos outros dos seus jogos.  Quando ouvimos Dontnod, automaticamente pensamos num jogo que enaltece as suas personagens e deixam o jogador sentir algum controlo sobre a narrativa, e Twin Mirror é exactamente isso. Este não é um jogo recheado de acção mas sim um jogo que oferece uma história que pode ser moldada por nós a cada momento.

Muito do encanto de Twin Mirror passa pela forma como o jogador se sente no lugar do condutor ao longo da história. Todas as interacções podem mudar o percurso do que estamos a fazer e embora algumas decisões pareçam ter mais peso que outras, a verdade é que tudo acaba por ser relevante.

É difícil falar de Twin Mirror sem falar da história, no entanto, falar da história iria estragar o jogo para muitos. Todos os momentos do jogo têm importância. Embora o seu início seja muito parado e sofre um pouco pelo seu pace, a verdade é que assim que o jogo começa a ganhar ritmo entramos numa aventura da qual é difícil sair.

No início do meu jogo admito que estava pouco interessado no mundo que estava a ser apresentado. As personagens não pareciam cativantes e a história não estava a ir a lado nenhum. Contudo, assim que o verdadeiro drama começou, dei por mim a pensar no jogo mesmo quando não o estava a jogar, e a ter vontade de o continuar a explorar.

Twin Mirror conta com personagens com interacções incríveis, uma escrita muito competente e um óptimo voice acting. Cada personagem tem uma personalidade distinta que transparece durante as interacções. Aquelas mesmas personagens que eu não tinham interesse acabaram por se tornar personagens das quais eu quero saber mais. No entanto, Twin Mirror não deixa de ter alguns clichés, como a ex namorada pela qual ainda temos sentimentos e o melhor amigo misterioso. Além disso, e talvez o motivo pelo qual me custou tanto criar conexão às personagens, as animações faciais são notoriamente desajustadas. Alguns momentos emocionais não traziam qualquer emoção à cara das personagens tirando toda a tensão do momento. Juntando isso, a um lip-sync descoordenado, acabamos com cenas sem impacto, não pela história, mas pela performance.

O jogo faz um excelente trabalho a colocar o jogador numa pequena aldeia mineira do coração dos Estados Unidos. A caracterização do espaço faz com que a aldeia pareça mais uma personagem. É como se sentíssemos a energia do local e o peso das emoções só por olhar para as ruas. Basswood é uma cidade triste e ao mesmo tempo esperançosa. Existe um misto de felicidade e ressentimento que impactam Sam – a personagem principal do jogo. Explorar a pequena aldeia e falar com os seus habitantes foi um dos momentos altos deste jogo.

Twin Mirror permite ao jogador interagir com diferentes personagens, para mais tarde juntar informação recolhida e juntar as peças do “puzzle” que estamos a montar. Cada interacção é única e faz com que conheçamos um pouco mais sobre a cidade mas também sobre Sam.

Para além dos diálogos com as personagens, contamos também com a capacidade de dedução e foco para desvendar o mistério que assombra Sam.

Assim como já vimos noutros jogos e mais notoriamente em Sherlock, Sam usa o seu “palácio mental” que é um espaço cognitivo onde ele pode revisitar memórias de forma a recordar informação necessária. Além disso, o jogo leva o conceito de saúde mental um passo mais à frente. Em alguns momentos vemos Sam a lidar com ansiedade, pânico e até medo, e para ultrapassar esses momentos temos que realizar algumas actividades que estão ligadas a mecanismos de coping reais e funcionais.

Como se não bastasse temos também a presença do alter-ego de Sam que nos acompanha ao longo da aventura e está sempre disposto a questionar as nossas decisões. 

Cada momento de Twin Mirror pode levar a mais uma descoberta emocionante ou a um puzzle curioso. No entanto, por vezes, esses puzzles são prejudicados por controlos pouco responsivos. Várias vezes dei por mim a rodar varias vezes a câmara para conseguir o ângulo certo para pressionar o botão. 

Com um mistério bastante interessante e personagens que me prenderam ao jogo, Twin Mirror é mais uma narrativa de sucesso. No entanto, a fraca animação facial retira o impacto de alguns dos momentos e acaba por diminuir a resposta emocional que o jogador sente. Além disso, os controlos podem tornar algumas secções em algo mais frustrante do que divertido.