Um olhar sobre o clubismo fanático de consolas

Um olhar sobre o clubismo fanático de consolas

19/11/2020 0 By Gonçalo Santos

Cada vez mais tenho assistido, com tristeza, confesso, a uma espécie de extremar de opiniões, muitas delas não fundamentadas, que apenas pretendem incentivar ao fogo e criar uma discórdia relativamente a marcas de consolas. Todos nós já ouvimos o termo fanboy aplicado a alguém que defende com unhas e dentes que o seu produto é muito superior a tudo o resto, e que foi a Playstation/Xbox e que lhe mostrou o caminho para o céu. Este tipo de opinião tem vindo a aumentar com o passar dos anos, o que é, a meu ver, um sinal preocupante e a ter em conta, e que levanta muitas questões sobre o que será o futuro desta industria, com esta mentalidade.

Tal como já disse em vários episódios do Portal Gamer Podcast, os clubismos são algo transversal na nossa cultura, e mesmo na espécie humana. Isto vai do futebol à politica passando pela religião. A diferença é que quando se fala de marcas de produtos, este conceito competitivo não se devia aplicar como se aplica nos desportos ou concursos de popularidade. Aqui, a concorrência obriga a que as marcas não estagnem, obriga a que exista uma necessidade constante de evoluir, de procurar fazer mais, para se tornarem melhores, mais competentes e como tal, apresentar melhores resultados.

A verdade é que a prestação da Xbox na geração anterior levantou algumas questões no que seria o futuro da marca, e levantou também alguns problemas para os consumidores, que são quem beneficia sempre com a concorrência entre duas marcas. Para alguém que, tal como eu, aprecia os videojogos por aquilo que eles são, e não é um clubista fanático de nenhuma marca de consolas, é uma felicidade enorme ver que a Xbox começa uma nova geração com o pé direito. 

Com o lançamento da Xbox Series, vários foram os recordes de vendas da consola e é impossível negar o seu sucesso. Muitos factores contribuíram para este sucesso, tal como o facto de vermos o confinamento cada vez mais eminente, ou até já em vigor em alguns países. Claro que esta procura ajuda a que ambas as consolas apresentem números impressionantes logo no seu lançamento. 

Existem imensos benefícios da concorrência, que já se começam a ver em ambas as marcas. Uma delas é a retro-compatibilidade entre PS4 e PS5. Acredito que se a Microsoft não tivesse tido tão bons resultados com a retro-compatibilidade, tornando-a numa das imagens de marca da Xbox One, nunca iríamos ver a Playstation a pisar esse terreno. Acredito também que se não fosse a oferta que o Game Pass nos dá na entrada para uma consola, a Playstation nunca teria criado a Plus Collection para a PlayStation 5. Do outro lado, acredito que o sucesso dos exclusivos Playstation nesta geração, foi um dos motivos que levaram a Xbox a comprar estúdios como Bethesda e procurar fazer algo novo com eles. Neste momento a Xbox continua à procura de mais estúdios para juntar à sua marca, o que são óptimas notícias para os subscritores do Game Pass. 

Tudo isto para dizer que o sucesso de duas marcas na mesma área são boas noticias para todos os consumidores, e como tal, os videojogos não são diferentes. Quanto mais ofertas tivermos, e quanto mais diversificadas forem, melhor são as regalias que os consumidores vão ter, já para não falar que só assim podemos escolher aquilo que realmente nos beneficia. Acho também que a única discussão que deve existir entre marcas de consolas deve ser a forma como as conseguimos melhorar, e nunca o clássico “a minha é melhor que a tua”. Só quando compreendermos os benefícios de todas as marcas, quando passarmos a ver o sucesso de uma marca como o sucesso de todos os jogadores e só quando percebermos que a guerra de consolas é estúpida iremos conseguir ser um grupo melhor e menos doentio.

Se eu acredito que esse dia chegará? Infelizmente a minha falta de esperança na humanidade leva-me a pensar que não.