Dead Space – Cortado aos bocados

Dead Space – Cortado aos bocados

10/10/2020 0 By Ruben Pereira

Era essa uma das frases de marketing do jogo na altura. “Cut off their limbs” aparece inúmeras vezes ao longo do jogo sempre para lembrar o jogador que, headshots aqui, não iriam funcionar para sua vantagem.

Porque é que este detalhe é tão importante? Porque o Dead Space queria ser o Resident Evil 4, mas no espaço. O medo de fazer algo semelhante nunca lá esteve, pois o objectivo da EA Redwood (mais tarde iria-se tornar a Visceral Games, que infelizmente, também levou com o machado da EA) sempre foi agarrar na base, e fazer algo mais, horrífico.

É RE4 no espaço, mas é muito mais que isso. Vídeos no gametrailers a mostrar o sangue em gravidade 0, que cerca 2008, era impressionante. O admitidamente clunky gameplay nas secções de gravidade 0 deixava mais a desejar, isto mudou nas sequelas pela positiva.

Onde o gameplay nunca deixou a pecar, foi no resto. Shooting, tá sem exagero, on point, aquela satisfação de explodir com um braço a um necromorph é difícil de descrever por palavras.

Os SFX não só das armas, mas do ambiente em si carrega o grafismo do jogo que até hoje ainda é capaz de me fazer pensar “wow”. Há 12 capítulos, e todos tem um momento memorável e são o máximo diferentes possíveis mesmo estando dentro da nave (até ao capitulo 12 pelo menos).

E a história? A história impactou-me de uma forma tão tremenda que até hoje sei a lore do jogo e suas sequelas praticamente toda. É curioso, porém, porque enquanto a narrativa do jogo é capaz de envolver o player numa jornada de caos, monstros com ataques de espasmos e ver a tua namorada aleatoriamente até descobrires que de facto ela estava morta o tempo inteiro…O que ficou, foi, como o jogo te tinha dito isso muito antes de a narrativa o mostrar.

12 Capítulos, e se juntarmos a primeira letra de cada capítulo? NICOLE IS DEAD.

É exactamente isto que me fez adorar o jogo. Não os gráficos, ou o sound design, ou a narrativa, que estão todos excelentes, mas sim ironicamente, onde Dead Space realmente brilhou foi na forma como juntou os componentes todos e os encaixou com uma perfeição genial. Isto juntamente com o pacing bem composto, faz o Dead Space um jogo que sempre irá ser um dos meus cobaias quando menciono jogos que eu considere quase perfeitos.

Sim, é irônico, uma dos key selling points do Dead Space foi como podias cortar inimigos aos pedaços. Mas devia ter sido como os pedaços ficavam tão bem juntos.