Um fenómeno chamado Among Us

Um fenómeno chamado Among Us

08/10/2020 0 By Gonçalo Santos

De X em X tempo aparece um ou outro jogo que fica viral, transformando-se em algo que ouvimos falar até daqueles amigos que não ligam a jogos. Geralmente, sempre que aparece um jogo com estas características eu tendo a experimentá-lo, e a rapidamente perceber que o jogo não merece o hype que o rodeia. Recentemente vimos isso acontecer com jogos como Fornite, Fall Guys, e o mais recente sucesso, Among Us, sendo que neste artigo é sobre o último que irei falar. 

Among Us é um jogo que merecia um caso de estudo. Lançado em Julho de 2018 pela Innersloth, teve de esperar cerca de dois anos até atingir o seu esplendor. Com um conceito bastante simples, Among Us resume-se a um autêntico jogo de polícias e ladrões. Aqui temos duas equipas, a crew e os impostores. Enquanto a crew anda pela nave a cumprir uma série de tarefas, os impostores têm de matar a crew sem serem descobertos. Este conceito é o mesmo utilizado no jogo de cartas, o assassino. Ao ser encontrado um corpo, qualquer jogador pode reportar e juntar todos os elementos numa sala. Após essa reunião, podemos votar em quem achamos que é o principal suspeito, e quem tiver mais votos é atirado para fora da nave, quer seja ele o impostor ou não. 

Among Us é um jogo bastante simples onde as tarefas são pequenos mini jogos rápidos e fáceis de concluir, e onde a parte da negociação é o ponto alto de cada partida. A forma como Among Us nos obriga a interagir é algo fascinante e que não existe em muitos jogos. Aqui a cooperação é real e fundamental, e dependemos dela e da nossa capacidade de persuasão para completar a nossa missão. 

Among Us é um jogo perfeito quebrar o gelo, e pôr todos os elementos a trabalhar em conjunto. A sua acessibilidade é também muito importante para o seu sucesso, pois qualquer pessoa que tenha um telemóvel consegue jogar Among Us, estando assim disponível para praticamente toda a população. Todas as interacções em Among Us são extremamente divertidas, e isso é algo que cada vez menos vemos em jogos. 

Among Us concentra em si qualidades que o tornam único e que se percebe porque é o jogo perfeito para este ano em que vivemos. A sua simplicidade, acessibilidade e componente social, tornam Among Us num jogo fantástico, capaz de juntar pessoas de todos os gostos, faixas etárias e zonas do mundo. 

Existe no entanto uma grande diferença naquilo que são as partidas públicas das privadas. Enquanto que estar a falar com amigos durante o jogo é extremamente divertido, jogar com desconhecidos num matchmaking pode ser algo completamente diferente. Aqui, vemos jogadores a chamar reuniões e emergência por nada, e outros a usar frequentemente um discurso insultuoso e ofensivo. A acessibilidade que tanto ajuda ao sucesso de Among Us, é também o principal responsável pela falta de filtragem. Estas partidas públicas são uma verdadeira roleta russa, em que nunca sabemos o que vamos apanhar. 

Em tempos de pandemia, e num ano que nos privou de vida social, que nos isolou e distanciou, jogos como Among Us tem um papel que é superior aos próprios vídeo jogos, o papel de juntar um grupo de pessoas, de as divertir e de as fazer trabalhar em conjunto com um objectivo comum. Isto não só é uma filosofia que devemos seguir fora de Among Us, como é tudo o que precisamos na nossa vida em pleno 2020.