Hotshot Racing – Review

Hotshot Racing – Review

21/09/2020 0 By Ricardo Alves

Foi com uma ligeira desconfiança que inicialmente abordei este jogo. Apesar de conhecer o pedigree da Sumo Digital, arcade racers já há muito que não puxavam por mim. Após aquilo que para mim seria uma “voltinha rápida” só para me aclimatizar ao jogo, haviam passado 2 horas a jogar. Acho que é o melhor cartão de visita que um jogo nos pode dar.

Hotshot Racing é um dedicado e bem sucedido throwback aos racers dos anos 90. Um arcade racer que prima pela diversão, acessibilidade, sensação de velocidade e adrenalina. É refrescante voltar a jogar um arcade racer tão divertido e sem grandes pretensões de realismo, que muitas vezes só acrescentam barulho. Imaginem um cruzamento de Ridge Racer com Daytona USA e acrescentem algumas mecânicas de Mario Kart e temos Hotshot Racing como resultado. É uma mistura que funciona perfeitamente, um jogo que prima pela diversão pura e com pistas e visuais bastante estilizados e coloridos.

Temos vários modos de jogo à disposição, sendo que cada um tem ligeiras diferenças, incluindo regras e objectivos diferentes. Todos podem ser jogados em Single Player ou MultiPlayer (MP local também é uma opção).

Logo a abrir temos o Grand Prix, que consiste em 16 pistas, divididas em 4 sub torneios – cada um com 4 pistas.
Cada mini torneio tem selecções de pistas mais adequadas a cada tipo de carro e aumentam ligeiramente a dificuldade.

Seguidamente temos o modo Time Trial, em que podemos escolher qualquer combinação de carro/pista e tentar bater o nosso próprio melhor tempo, o melhor tempo dos developers, ou de qualquer jogador que pertença à leaderboard. É uma forma engraçada de aperfeiçoar o conhecimento de qualquer pista enquanto se vai melhorando e dominando os diferentes carros.

Por fim temos o já clássico Arcade Mode. Tudo desde corrida normal até modos especiais como Policias e ladrões ou Drive or Explode.
Estes 2 últimos são extremamente viciantes pelo que acho que merecem uma explicação.

No modo policias e ladrões somos aleatoriamente designados como qualquer um dos dois. Se formos ladrões, temos que fugir e evitar o contacto com os carros de policia, e a cada impacto que temos (seja na pista ou colisão com outros carros) perdemos parte do loot que temos. É literalmente tudo contra tudo enquanto tentamos sobreviver até à linha de chegada, e nada nos impede de tentar estragar a vida a outro companheiro para o aliviar dos seus pertences- Hey, não há honra entre ladrões. Como policia a vida é mais simples, temos apenas que nos focar em destruir os carros dos ladroes, roubar o loot e certificar que o longo braço da lei vive à luz da sua reputação. Destruction Derby ou Need for Speed? Tu decides.

No outro modo, também ele bastante engraçado, temos que continuar a acelerar e a manter um mínimo de velocidade. O problema é que a cada checkpoint o limite mínimo aumenta. Se não excedermos o mínimo de velocidade, game over. A influência de filmes como Speed é notória, mas resulta numa experiência frenética em que damos por nós a dar tudo por tudo até sobrar apenas um piloto em pista. Neste modo os carros também têm barra de vida, pelo que qualquer colisão é dolorosa, temos que navegar a pista enquanto evitamos os outros malucos (excepto quando somos nós a tentar destruí-los, aí é uma jogada táctica e de cultura).

Todos os modos são extremamente divertidos, e efectivamente fizeram o tempo voar. De ligeiro interesse até completo vício foi um saltinho, e não acredito que tenha vindo da nostalgia pelos antigos clássicos. Hotshot Racing pega nesses mesmos valores e dá um twist que o torna um jogo surpreendentemente divertido e competente.

Como mecânica central do jogo, temos um sistema em que temos de escolher entre 8 pilotos, cada um com a sua personalidade, comentários engraçados à nossa performance em corrida, e com 4 carros exclusivos a cada. No total são 32 carros, todos inspirados em modelos reais, como Ferraris de Formula 1, Ford GT40, Skylines, Lancia Delta, Drag Cars, e por ai fora.

Todos os pilotos têm acesso a 4 carros logo de inicio, cada um com diferentes stats em 3 categorias: velocidade, aceleração e, talvez a mais importante de todas, Drift. Todas as personagens têm um carro equilibrado em tudo, um afinado para max speed, outro para alta aceleração e um último que se excede no drifting.
Só porque existem estes 4 arquétipos não significa que todos os carros sejam comparáveis, alguns são nitidamente superiores apesar das stats indicarem o oposto. Explicando melhor:

Neste jogo temos 3 mecânicas fundamentais de aprender e dominar.

Drifting, a cada drift bem sucedido carregamos uma barra de boost de nitro, e quanto mais longo e complexo for o drift sem interrupções ou colisões maior o boost.
Boosting, um surto de velocidade que precisa duma barra carregada para lançar e que os adversários também podem utilizar, pelo que o uso  do mesmo pode transformar uma derrota numa vitória (ou vice-versa).
Por último, uma mecânica que por acaso tem fundamento na realidade, o slipstream. Sempre que nos encontramos na mesma trajectória dum carro directamente à nossa frente, há menos fricção do ar e conseguimos atingir uma maior velocidade de ponta. Manter o slipstream ajuda a aumentar a barra de boosting, com a ressalva que os nossos adversários também usam constantemente esta estratégia para manterem a pressão.

A inicio achei os controlos muito stiff, os carros não se controlavam muito bem, mas mal percebi o foco no drifting e passei a preferir carros que primassem nesta área em prol de maquinões de top speed, a minha experiência com o jogo transformou-se completamente.
Não é de todo significativo que os carros mais rápidos sejam inúteis: simplesmente carros com bom drifting são também os mais eficientes e divertidos de se jogar. Os carros mais rápidos não são nem remotamente tão divertidos de se jogar , um ligeiro defeito no jogo, a meu ver, mas que entendo para efeitos de balancing.

Por falar em balancing, sendo um Arcade Racer, estejam desde já preparados para ter a oposição a comer o vosso pó…mas apenas por meia dúzia de metros. Sim, o rubber banding é bem real e nota-se múltiplas instâncias do jogo nitidamente a fazer batota e a dar velocidade artificial aos carros que estão para trás só para nos manter em pressão.
Mais uma vez entendo que seja para manter o desafio, mas por vezes é tão óbvio que se torna ligeiramente injusto.

À medida que vamos ganhando corridas, torneios e etc, vamos acumulando dinheiro, que pode ser utilizado para customizar (visualmente apenas, infelizmente) os nossos carros preferidos. Há bastante por onde escolher, e literalmente tudo pode ser alterado, desde peças, esquemas de cor, jantes, capot, spoilers, etc. Nada disto se traduz em vantagens na pista, mas está lá para quem quiser. Algumas peças mais vistosas precisam de challenges executados no carro em questão, como por exemplo ganhar um grand prix, ou fazer 300 drifts com o dado carro, etc.

Como um todo, acho que a Sumo Digital fez um excelente trabalho. Sim, foi um jogo que me fez lembrar Ridge Racer e Daytona USA, mas rapidamente me conseguiu conquistar pelos seus próprios méritos e não apenas como uma viagem nostálgica. Recomendo a todos os que gostem de racers rápidos, acessíveis, divertidos e com boa sensação de velocidade. Não esperem grande profundidade aqui, e apesar de haver 16 pistas variadas visualmente (desde selvas, parques jurássicos, cidades e savanas, até temas espaciais) o layout das mesmas não é de todo muito diversificado.

Certamente um jogo merecedor do teu tempo, se gostares do género. Extremamente competente no que faz, só peca por falta de profundidade (poderia haver carros extra para conseguir, ou inclusive um modo em que se podia correr com carros melhorados). Há bastante para ver e fazer, e enquanto dura é diversão pura, mas infelizmente não leva muito tempo até correr as pistas todas, sacar o Ouro e tentar de novo com outro carro. Tentei fazer algumas corridas online, e a única que consegui foi divertida. Contudo, era raro conseguir uma lobby pois não havia participantes suficientes.