Super Mario 3D All-Stars e escassez artificial

Super Mario 3D All-Stars e escassez artificial

13/09/2020 0 By Tiago Pimenta

Ao longo da sua existência a Nintendo têm utilizado várias técnicas para se diferenciar da concorrência. Muitas dessas estratégias resultaram numa evolução da marca e também numa mudança na forma como vemos os videojogos. A aposta da Nintendo em formas alternativas de jogar tem sido incrível e graças a isso agora temos a Nintendo Switch que nos permite jogar alguns dos nossos jogos favoritos em casa e em qualquer outro lugar.

Contudo, a Nintendo é também conhecida por algumas políticas mais “manhosas” que por vezes parecem ser completamente focada no lucro esperado e não no consumir. Embora essas políticas apareçam mais vezes do que o esperado nós raramente falamos da Nintendo quando abordamos temáticas sobre a utilização de políticas anti consumidor. Isso pode ser em parte devido ao valor nostálgico que a marca apresenta ou até por causa da qualidade do produto que eles entregam. Ao contrário de outras companhias, a Nintendo mesmo com políticas que só podem ser descritas como “manhosas”, acaba por entregar um bom produto final… na maioria das vezes.

Embora esse possa ser o caso a verdade é que não podemos continuar a ignorar algumas das estratégias da Nintendo principalmente no que diz respeito à criação de escassez no mercado. Ao longo de vários anos, talvez desde a SNES, que se fala da criação de escassez artificial criada pela Nintendo para mover o mercado. Embora nada disso tenha sido provado e até se tenha visto que por vezes a Nintendo tem aumentado a produção dos produtos para tentar acompanhar a procura, muitos dos seus seguidores mantêm algumas dúvidas.

Com a chegada de Super Mario 3D All-Stars, se algumas pessoas achavam que a teoria da escassez artificial era real agora têm tudo que precisam para se sentir validados. Quando Super Mario 3D All-Stars foi anunciado muitas pessoas, incluindo eu, ficaram muito entusiasmados porque esta coleção traz alguns dos melhores jogos do Super Mario para a nova consola da Nintendo e dá a oportunidade de jogarmos esses jogos onde quisermos. Embora fosse esperado um tratamento quase de remastered ou até um remake a verdade é que tivemos pouco mais que um port. Obviamente que isto não é mau de todo e os fãs esperam sempre mais. No entanto, para uma coleção de jogos que terá o valor de um jogo recente parece que pouco tratamento foi dado para justificar o valor. Principalmente quanto tivemos jogos como Spyro Reignited Trilogy e Crash Bandicoot N. Sane Trilogy a serem refeitos para a nova geração e a sair com valores a rondar os 40 euros.

No entanto este nem é o problema principal. O problema está na criação de escassez fictícia criada pela Nintendo para o Super Mario 3D All-Stars. Quem quiser adquirir uma cópia deste jogo tem até dia 31 de Março de 2021 para o favor. Depois dessa data a compra desse jogo deixa de ser possível. Isto poderia ser justificado com uma dificuldade de produção do jogo que faz com que haja escassez de cópias físicas levando a que haja um limite de tempo para a produção das mesmas. Esta seria uma desculpa esfarrapada mas seria uma desculpa ligeiramente plausível. Contudo, esta data limite não afeta apenas as versões físicas do jogo. No dia 31 de Março de 2021 o jogo será também retirado das lojas digitais e não poderá ser comprado em lado algum. E porquê? Simplesmente porque sim.

Devido a estas estratégias que em nada estão relacionadas com a satisfação do consumidor, algumas lojas começaram a cancelar as pre reservas do jogo devido ao número reduzido de cópias disponíveis. Esta estratégia da Nintendo não só prejudica os jogadores mas prejudica também lojas independentes que irão ver uma limitação extrema na quantidade de unidades que terão disponível para venda.

Além disso, vários “Scalpers” já estão a fazer compra dos jogos em grandes quantidades para depois vender a preços absurdos. Tudo isto acontece porque a Nintendo assim o permite e não reage ou oferece justificação. É um misto de despreocupação e recompensa financeira. 

Infelizmente não parece que esta é a primeira, nem será a última, vez que vemos a Nintendo a utilizar tais táticas. Juntando isso ao programa de  “Embaixador” da Nintendo que tem vindo a mostrar-se muito instável e focado na construção de notícias que apelam ao ego da Nintendo parece que caminhamos para uma realidade em que a prioridade é o investidor e não o consumidor. Talvez sempre tenha sido, nós estávamos era ocupados a jogar os bons jogos que eles oferecem e não vimos o resto.