Next Gen: Tudo o que precisas saber na escolha da tua TV

Next Gen: Tudo o que precisas saber na escolha da tua TV

05/09/2020 1 By Ricardo Alves

Com a muito ansiada chegada da próxima geração de consolas, tem-se observado uma crescente procura e todo um rol de questões a ela associadas sobre que TV comprar para melhor tirar partido das suas capacidades. A promessa de 4k foi tudo menos realizada na geração corrente, recaindo a responsabilidade nas versões Pro e One X, que muitas vezes usavam métodos de reconstrução de imagem para atingir um 4k “trabalhado”.

Desta feita,com mais poder debaixo do chassis, estas novas consolas abrem as comportas ao mercado e à enchente de TVs 4k, que começam a surgir a preços bastante apetecíveis.
Não censuro quem tenha duvidas, o mercado das televisões ainda é bastante convoluto e rodeado de buzzwords estranhas sem grande contexto por trás. Só porque uma TV tem uma excelente qualidade de imagem não significa que se esteja a tirar o melhor proveito de uma consola ou pc. Depois de me deparar com tantas questões em torno dos termos utilizados para caracterizar a performance duma tv, pareceu ser um tópico digno de aprofundamento. Esperamos ajudar na eventual escolha de uma nova TV, para que não escape a ninguém o mais pequeno pixel para que continuem a haver fanboy wars em foruns, era a brincar…

Decidimos portanto tentar filtrar ao máximo a oferta correntemente disponível no mercado e tentar, por este meio, indicar aquelas que acredito serem as melhores televisões para estar tudo a postos para a próxima geração.

Não foi fácil reduzir a 5, pois há bastante oferta e com cada set vêm, inevitavelmente vantagens e desvantagens (sim, mesmo no segmento high-end de 2900€ para cima) pelo que tentamos manter as expectativas e oferecer alternativas pela melhor qualidade/preço.

Nesta lista constam, por nenhuma ordem em especial:
Samsung Q80T/Q90T
Sony X900H
LG B9
LG C9/CX

Estas TV’s preenchem quase completamente o espectro de preços, desde algo à volta de 1100€ no caso da Samsung Q80T, indo até aos 1800€ no caso do Oled Lg Cx. Todas as TV’s desta lista e preços são referentes a unidades de 55″, e todas elas têm prós e contras. No fim do dia não há uma TV perfeita, tudo se resume aos defeitos com os quais conseguimos lidar e as qualidades que procuramos.  Segue-se uma lista dos termos que referirei como pontos à lupa em cada uma das seguintes TV’s, para melhor oferecer o contexto por trás das escolhas.

Input Lag

Para mim, como gamer, nada bate o tempo de resposta e input lag. Um monitor de PC será sempre a melhor escolha, mas os tamanhos não são grandes o suficiente e por vezes a qualidade de imagem não se compara à de uma boa TV, daí que um compromisso seja bastante aceitável. Não há pior sensação que estar a jogar algo e sentir que a nossa personagem se “arrasta” com um ligeiro atraso face aos inputs que estamos a dar. O input lag é melhor entendido se sentido em primeira mão do que explicado, mas uma boa analogia seria: quando o input lag é considerável, parece que tudo, desde o movimento da personagem, até ao controlo da retícula num shooter, parece que está a andar sobre gelo. Não é recomendável para gaming, e mesmo para jogadores menos virados para jogos competitivos é um ponto a considerar pois acaba por incomodar (a tolerância de cada um varia, mas geralmente nunca apontaria acima de 20 milissegundos).
Felizmente não é um problema em nenhuma destas TV’s.

Tempo de resposta

Seguidamente, o tempo de resposta. Geralmente confundido com o input lag, o tempo de resposta de um painel tem a ver com a velocidade através da qual um pixel consegue passar de branco a preto (correndo todo o espectro de cores intermediário). Quanto mais baixo o tempo de resposta, melhor a TV consegue lidar com imagens em movimento rápido e com isso ter menos arrasto de imagem nos objectos (chamado ghosting).

Uniformidade de Painel (DSE)

No departamento de imagem, há outro aspecto a considerar. Uniformidade de painel. Todos os paineis LCD, sejam LEDS ou QLEDS, sofrem de certo grau do chamado DSE (dirty screen effect). Se não sabem o que é, e nunca se sentiram afectados por isto, sugiro que passem à frente esta parte. É, efectivamente daqueles coisas em que não saber é melhor, pois apartir do momento em que se nota na nossa televisão consegue distrair bastante.
O DSE é efectivamente um efeito que se assemelha a “sujidade” no ecrã e que é extremamente notório em cenas mais claras, de cores uniformes, seja olhar para o céu, um jogo de futebol, neve, etc. Todas as TV’s, excepto os Oled, têm isto, o que varia é a intensidade e geralmente quanto maior for o painel mais terá.

Frequência nativa do painel

A frequência do painel geralmente está associada ao tempo de resposta do mesmo. Quanto maior a frequência (neste caso o mais alto é 120Hz) mais fluída será a imagem e mais reduzido o input lag. Painéis de 60 Hz (a maioria dos painéis no mercado) não conseguem transmitir sinais de 120 frames, e perdem em clareza de imagem. Esta é uma das principais formas de assegurar que a TV que iremos comprar é future-proof pois não só estará preparada para a eventualidade futura de haver conteúdo a 120 FPS, como é perfeita para emparelhar com um PC (capaz de puxar esses valores) e ao mesmo tempo aumentar a fluidez em jogos com framerates inferiores.

VRR

Uma abreviatura de Variable Refresh Rate, esta feature assegura que, quando ligada, a televisão está constantemente a adaptar-se aos frames por segundo que um jogo debita e tenta compensar a fluidez para ser o mais uniforme possível. Ajuda também a eliminar quaisquer traços de screentearing que um jogo possa exibir a certas resoluções e, é também uma das features para termos uma televisão completamente furure-proof por muitos anos.

Nota: Tanto a frequência de 120hz a 4k como o VRR são exclusivos de TVs compatíveis com a nova norma do protocolo HDMI 2.1. Nem todas as televisões desta lista o têm, depende do quão importante os 120hz no modo de 4k/utilização de um PC são para o consumidor.

Burn In

Uma infeliz mancha na tecnologia superior Oled. Este termo tem afastado imensa gente de os adquirir, e com algum motivo. Por muito boa que seja a qualidade de imagem, os negros, input lag e tempo de resposta, há SEMPRE o risco de ficarem manchadas no ecrã imagens de logótipos, HUDS, canais de televisão (entre outros) se a televisão permanecer demasiadas horas, por demasiados dias no mesmo conteúdo. Há ferramentas para diminuir esta ocorrência, mas geralmente é desaconselhado fazer sessões de gaming muito longas e ir variando no conteúdo para não ficar com um contador de munições ou uma barra de HP no canto da TV (yikes). Para quem dedicar algumas horas valentes por dia a jogar um determinado jogo sem alternar, sugere-se cuidado. O efeito de burn in demora a aparecer mas é cumulativo. Eventualmente acabará por acontecer e exige muito cuidado com a televisão. Explicados os termos base e o contexto e sua relativa importância, apresento uma lista condensada daquelas que considero ser as melhores televisões para gaming para a próxima geração, juntamente com uma aproximação do preço.

Samsung Q80T/Q90T

Após as ofertas do ano passado, a Samsung decidiu apostar na continuidade em vez de tentar algo disruptivo. Tanto a samsung Q80T como Q90T sâo revisões com melhoramentos e implementação de funcionalidades HDMI 2.1, tais como VRR e 120hz. Decidi juntar ambas na mesma secção pois apesar de terem algumas diferenças, são essencialmente a mesma TV.
Ambas têm input lag a rondar entre os 9.8ms e os 10,5ms, o que é excepcional. Ambas suportam 120hz a 4k, VRR por intermédio de HDMI 2.1. Ambas têm o mesmo tempo de resposta, que também é fenomenal. Contudo, a 90T tem HDR superior, maior peak brightness e melhor sistema de local dimming, para manter as áreas negras da imagem mais destacadas, resultando numa imagem mais imersiva em ambientes com pouca luz. A diferença nestas features para mim não justifica a diferença de preço, mas é o normal tendo em conta que a 90T é a flagship da Samsung.

Agora o lado mau. Qualquer um destes 2 modelos sofre do mesmo problema, que é a qualidade de imagem no único modo relevante para jogar (gaming mode), e é um problema que já afectava as TV’s do ano passado: a qualidade de imagem fica bastante degradada e é a forma que a Samsung conseguiu produzir resultados tão impressionantes no que toca ao input lag. Segundo ponto negativo: uniformidade do painel. Infelizmente tanto um como o outro modelo sofrem bastante de DSE que se manifesta não apenas nos cantos do ecrã mas pelo meio também. Partindo do principio que és tolerante a isto, não deverá ser um grande aborrecimento, mas para quem é sensível está lá e é bastante notável.

O preço da Q80T de 55″ anda por volta dos 1200 euros na variante de 55″, o que não é de todo mau.

Prós:Contras:
Future Proof, entradas HDMI 2.1Má uniformidade de ecrã
!20hz nativos até 4k (embora não exista ainda plataforma para testar o output)Qualidade de imagem é severamente impactada no Game Mode
Excelente input lag e tempo de respostaAlguns glitches ocasionais na interface com as funções de smart TV.
Relação preço/qualidadeFuncionalidades 2.1 só disponiveis nos modelos de 55″ para cima.
Samsung Q80T/Q90T

Sony X900h

Não querendo ficar atrás da concorrência, também a Sony decidiu apostar nas novas funcionalidades 2.1, apostando no emparelhamento desta TV com a consola que nos planeiam vender em Novembro. Todas as funcionalidades da Samsung estão presentes, com algumas ressalvas: apesar de a TV ter 2 portas HDMI 2.1, ainda não estão activos e espera-se. por comunicado da Sony, o tão prometido update de firmware que lhe vai dar todas as funcionalidades.

É um painel VA, com pretos fortes, 120hz a 4k e para baixo, com VRR e local dimming.
Em termos de input lag apresenta uns muito respeitaveis 15 ms a qualquer resolução, podendo descer até aos 7ms no modo de 120hz (resta testar nas novas consolas visto ainda não haver conteúdo nativo a correr a esse refresh rate).

A uniformidade do painel é excepcionalmente boa, com DSE praticamente inexistente no meio do ecrã e apenas com um muito ligeiro efeito de vinheta nos cantos superiores do painel, o que não é de todo notório em conteúdo normal. A uniformidade é muito boa tanto em cenas claras como escuras.

A peak brightness da Sony compete com a Samsung, e a implementação de HDR é das melhores que já fizeram no seu line up. Os efeitos de interpolação de imagem são eficazes mas não tão avançados como no caso da Q80T, mas em contrapartida a imagem praticamente não sofre quebras de qualidade no modo de Jogo. What you see is what you get.
Graças ao motor de upscaling altamente eficaz da Sony os resultados são incríveis.

Em termos de preço , trata-se de uma TV um pouco mais cara, sendo vendida por 1299 Libras no UK, pelo que ao câmbio serão 1438 euros por cá. Excelente qualidade de imagem e cores right out of the box assegura que não tenhas de perder muito tempo a configurar as settings de imagem. Contudo, alguns glitches foram observados em que a TV retomava as settings padrão e tinha que se voltar a seleccionar o modo custom. No geral, uma TV sólida, sem surpresas nem nada do outro mundo, e que terá o selo da Sony “ideal para a PS5”.

Prós:Contras:
Excelente qualidade de imagem, blacks e brightness directamente da caixaPreço, poderia ser mais baixo visto ser do mesmo segmento de TVS como a Q80T
Baixo input lagIndisponibilidade de funcionalidades 2.1 até a Sony lançar o firmware, que pode levar dias ou meses
Qualidade de imagem mantém-se igual no modo de jogoGlitches nas definições de imagem, que para já ainda não estão resolvidos por firmware.
Boa uniformidade de ecrã
Sony X900h

LG B9

O workhorse do ano passado mantém-se actual em 2020. Por muitos encarada como a melhor TV de gaming, quase a par com a C9, esta TV demonstrou vezes sem conta os seus méritos, contanto com excelente input lag, response time e qualidade de imagem. Uma alternativa mais barata à C9 que não deixa o dono ficar mal.

Com um contraste perfeito e ausência de DSE, a qualidade de imagem imaculada e tempos de resposta/input lag ridiculamente baixos, parece automaticamente a escolha perfeita. Mas nada é perfeito.
Infelizmente este modelo, sendo mais antigo têm alguns problemas com a luminosidade, especialmente em HDR e ambientes iluminados e há um maior risco de burn in. Só por este motivo sugere-se cuidado na utilização da TV, havendo ferramentas para minimizar o risco mas sempre com cautela.

É uma TV que necessita absolutamente de calibração (profissional de preferência) para se retirar a melhor qualidade e equilibrio de cores e contraste da mesma.

Tem em média um input lag de 13.8ms, o que é muitissimo bom, e suporta 120hz nativos até à resolução de 1440p. Não há suporte de 120hz para resoluções de 4k.
Tem VRR para todas as resoluções, incluindo 4k, mas mais uma vez não chega aos 120Hz, ficando-se por 60hz nesta resolução.

Uma excelente TV, não completamente future proof mas com um bom preço hoje em dia e com uma qualidade de imagem, input lag, tempo de resposta e uniformidade perfeitas.

O modelo de 55″ encontra-se por volta dos 1200-1300 EUR, um preço bastante convidativo e um dos maiores motivos para se encontrar numa lista onde a C9/CX existem.

Prós:Contras:
Excelente qualidade de imagem.Não suporta 4k a 120hz, apesar de suportar VRR até 60hz
Fantástico tempo de resposta e input lag, a imagem é nos apresentada sem qualquer arrasto ou ghosting.Burn in
Excelente uniformidade, com pretos sem igualBurn in (sim, outra vez)
Bom preço
LG B9

LG C9/ CX

Essencialmente um ligeiro step up do modelo B9, a LG C9 consegue ter um tempo de resposta ainda melhor, ainda que retendo os mesmos valores de input lag, que já de si eram fantasticos. Ligeiramente menos susceptivel a burn in, embora seja sempre uma inevitabilidade, infelimente.
Consegue ter uma peak brightness superior, o que resulta numa experiência em HDR bastante mais satisfatória .
O grande diferenciador entre a B9 e a C9 é que a última está preparada para funcionalidades 2.1 em pleno, aceita resoluções a 4k e retem os 120hz e o VRR, É certamente uma escolha mais segura, mas isto vem com um preço: este modelo encontra-se à venda por 1700 euros. Cabe ao consumidor decidir se o risco menor de burn in e o future proofind valem os 400 euros.

Quanto ao modelo deste ano, LG CX é a derradeira forma de OLED para ter a melhor experiência de gaming. É superior aos 2 anteriores modelos e completamente future proof, ao fornecer 120hz nativos em todas as resoluções, VRR nativo até 4k, e com um tempo de resposta ainda melhor. A tecnologia mais recente faz mais dificil com que o painel sofra de burn in. É sem duvida a melhor das três e uma das melhores TVs para se jogar e, bem, para tudo. Simplesmente o preço não é nada convidativo e há sempre a “sombra” do burn in a pesar sobre nós – buyer´s remorse, anyone?

Se for um consumidor responsável e não se importar de ter todos os cuidados e mais alguns com a televisão, é provavelmente a melhor e mais fiável de todas as presentes. Contudo, para os demais, o preço a rondar os 1800 EUR e o medo do burn in poderão ser um entrave.

Prós:Contras:
A melhor qualidade de imagem possível num set Oled.Apesar de mais reduzido, o risco de burn in
Tempos de resposta e input lag fantásticos.Alguma agressividade no algoritmo de adaptação dinâmica de iluminação em certas zonas
Excelente uniformidade e bom HDR, mesmo tendo em conta o ponto fraco dos oled: luminosidade.Preço, não muito convidativo para quem quer enveredar mais pelo gaming na compra
Bom preço
LG C9/ CX

Compreende-se que em tempos complicados não se queira gastar muito numa televisão, mas a comprar, mais vale que seja: fiável, future proof e considerar como um investimento para 7 ou 8 anos. Nem todas as tvs nesta lista são completamente future proof, mas têm a fiabilidade e o input lag a seu favor. Outras, mais equilibradas como a Sony estão exactamente no meio. Boa qualidade de imagem, input lag, fiabilidade. Sem grandes loucuras mas também sem grandes surpresas negativas. E por fim, temos os modelos high end, a LG CX que faz tudo na perfeição mas tem um preço não muito simpático e a possiilidade de burn in sempre presente. Não fosse a q80T sofrer de problemas de uniformidade e de degradação de imagem em Game mode, seria a minha escolha.
Tendo isto em conta, se tiver que escolher uma seria a Sony x900h, embora prefira esperar até ter a certeza que o firmware prometido pela Sony chega, efectivamente, a ver a luz do dia.

Bons jogos e uma boa entrada na próxima geração. Lamentamos desde já os eventuais rombos na carteira.