No Baú: Metal Gear Rising: Revengence

No Baú: Metal Gear Rising: Revengence

19/02/2020 2 By Gonçalo Santos

Metal Gear Rising: Revengence é provavelmente, de todos os que já joguei, o hack and slash mais próximo da perfeição. Metal Gear Rising nasce de uma colisão entre duas incríveis produtoras, ficando com o melhor de cada uma. Rising tem a jogabilidade da Platinum Games e o design de personagens, cenários e história da Kojima Productions.

E o que acontece quando se junta Kojima à Platinum Games? Magia, ou por outras palavras, Metal Gear Rising.

Embora o nome sugira que este jogo faça parte da famosa serie de Metal Gear Solid, isso não acontece. Este jogo desenvolve-se no no mundo de Metal Gear Solid, mas num futuro um pouco longínquo. No entanto, não existe qualquer ligação na historia de ambos os jogos. Durante a criação do jogo, o principal objectivo, foi dar o máximo de liberdade à Platinum Games para desenvolver a sua jogabilidade.

Para dar esta liberdade à Platinum, foi então criada uma personagem principal, de seu nome Raiden, que aparenta ser um especialista em segurança privada. Logo na primeira missão do jogo, Raiden é atacado por um grupo rival, que assassina um cliente seu, e que o deixa às portas da morte. Após algum trabalho de reconstrução é-nos apresentado um Raiden renovado, com armas novas e umas quantas cartas na manga.

Raiden parece ser um ingénuo Cyborg mas esconde um passado repleto de surpresas.

O combate de Rising tem alguns pormenores completamente inovadores e não se encontram em mais nenhum jogo. Um desses pormenores é a forma como podemos variar entre o uso da espada em movimento e o uso da espada parado, apenas com um simples botão. Quando usamos a espada parados, entramos no Sword Mode, aqui podemos desferir múltiplos cortes num curto espaço de tempo, podendo direccioná-los para onde entendermos, criando um mundo de destruição e decepamentos. Este Sword Mode pode ser activado em praticamente todos os inimigos, podendo por vezes cortar um inimigo em 600 pedaços. Não deixa de ser incrível que exista mesmo uma contagem, a cada luta, da quantidade de partes em conseguimos cortar os nossos inimigos. Para além de podermos utilizar os botões habituais para atacar no Sword Mode, conseguimos também controlar a espada através do analógico. O que nos dá uma liberdade total para cortarmos os nossos inimigos onde nos interessa. Tudo isto é fundamental pois um dos nossos objectivos, ao longo do jogo, é coleccionar os braços esquerdos, para gastarmos em upgrades.

Os upgrades que conseguimos fazer à nossa personagem variam entre movimentos, armas novas, aumentar a vida, baterias e novas skins. As armas são uma parte fundamental de Metal Gear Rising, pois são as nossas fiéis parceiras de combate. Ao inicio começamos apenas com a nossa katana, mas mais tarde conseguimos comprar armas como lanças e sais. Praticamente durante todo o jogo utilizei a katana com arma principal e a lança como arma secundária. Durante o combate podemos fazer combinações com ambas as armas, utilizando a katana para combate em curtas distancias e a lanças para ganhar um alcance extra, e atingir vários inimigos de uma vez só. Para além das armas de combate corpo a corpo, podemos utilizar projecteis como granadas, lança rockets e bazucas.

Metal Gear Rising tem uma dificuldade aceitável, deixando-nos repetir sempre a partir do último checkpoint. No entanto, se usarmos poções de vida e morrermos, perdemos as poções que usámos previamente. Uma das partes mais estranhas de Metal Gear Rising: Revengece é a nossa defesa e a forma como podemos dar deflect nos golpes dos nossos inimigos. Este deflect e dado quando atacamos na direcção de onde vem o golpe, e no timing certo. Tornando a defesa do jogo quase inexistente.

É caso para dizer que em Metal Gear Rising o ataque é a melhor defesa. 

Os movimentos da nossa personagem são tão rápidos que existe sempre a ideia que que Raiden nunca para de atacar. Quase como se uma luta fosse um gigantesco combo. A velocidade está presente não só no combate mas também no movimento da nossa personagem. Facilmente entramos no Ninja Mode, que nos permite correr desalmadamente, dando ricochete em todas as balas que nos tentarem atingir. Aqui Raiden torna-se um verdadeiro mestre do parkour e passa pelos obstáculos, que se encontrarem á sua frente, com grande estilo e velocidade. É fascinante ver a velocidade a que de desenvolve todo o jogo, sentia varias vezes que estava a jogar um hack and slash em esteróides.

Os nossos inimigos em Metal Gear Rising vão variando ao longo da história. A maior parte deles tem a aparência de polícias, que ficamos mais tarde a saber que se tratam de cyborgs. Para além destes cyborgs normais temos todo um leque de inimigos que vão de cães robôs, a helicópteros, passando por robôs gigantes, armados até aos dentes. Os mais incríveis de todos os maus da fita são os bosses. Aqui entra em acção o incrível trabalho da Kojima Productions em criar estas personagens, tão intensas, e com uma personalidade tão díspar. Alguns deles são de cortar a respiração, não devido as seus movimentos, e muito para além da sua jogabilidade, ou da sua dificuldade, estes bosses parecem quase saídos de um livro de ficção. Rising é uma autêntica ode à criação de vilões que não são apenas detestáveis, mas vilões que tem uma mensagem a passar, e vilões que nos ficam na memória.

Alguns marcam pela sua aparência física, outros pelas conversas que desenvolvem, mas o que é certo, é que nenhum boss me ficou indiferente.

Gostaria também de falar um pouco dos gráficos de Metal Gear Rising. Apesar de este ser um jogo da geração passada, e de não existir uma versão remasterizada, Metal Gear Rising tem gráficos de alta qualidade, para um jogo de 2013. Eu joguei Rising no PC, em Ultra, com tudo no máximo, e o jogo correu fluídamente, com uma qualidade que chegava até a ser surpreendentemente agradável. Achei o jogo muito bonito e em momento algum pensei que os gráficos do jogo estivessem super desactualizados.

Explicado por alto o sistema do jogo, chega a hora da opinião pessoal, e de contar daquilo que foi a minha experiência com Metal Gear Rising. Tenho de começar por dizer que, como fã de hack and slash’s, Metal Gear Rising é um jogo muito próximo da perfeição. A jogabilidade, penso que é superior a praticamente todos os H&S que joguei, incluindo Bayonetta. Aqui para além de esmagar os botões do nosso comando, sentimos que estamos também a esmagar os nossos adversários, mesmo que estes, por vezes, não sejam monstros gigantes. Rising é um conceito completamente fora da caixa, e mesmo passados 7 anos do seu lançamento, tem elementos que não se encontram em mais nenhum jogo. O seu combate frenético, com desmembramentos constantes, e com uma variedade infindável de combinações, faz com que Metal Gear Rising seja um forte candidato a melhor Hack and Slash de todos os tempos. Levando assim uma nota de 9 em 10. Recomendo este jogo, não só a todos os fãs de Hack and Slash’s, mas também a todos os fãs de jogos em geral. Este jogo reúne duas conceituadas produtoras japonesas, e o resultado não podia ser mais fiel ás suas reputações.

Por último, gostaria de deixar um agradecimento muito especial ao meu amigo, de longa data, Nelo, pois foi ele que me convenceu a jogar Metal Gear Rising, e foi também ele o principal responsável, por esta minha paixão pela Platinum Games.